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Cortiça

O Sobreiro (Quercus Suber), árvore que produz a cortiça, é típico da região da bacia do Mediterrâneo e abunda sobretudo na sua parte ocidental. Portugal destaca-se como sendo o país que apresenta a sua maior implantação e exploração.

Apreciado pela sua madeira, pela sua casca e pelos seus frutos, o sobreiro, que a tudo resistia, inclusive ao fogo, tornou-se numa árvore de excepção. Os antigos adoraram-no e os novos têm-no protegido. Era consagrado a Júpiter pelos Gregos e Romanos como símbolo de valor (da liberdade e da honra).

É a árvore mais protegida em Portugal (quase desde a sua nacionalidade). Portugal é também pioneiro e principal legislador nesta matéria.O fosse mais antigo que se conhece em Portugal tem cerca de 10 milhões de anos.

A cortiça, que foi também aproveitada para utensílios no período romano, só mais tarde, no século XII volta a ser aproveitada.

Segundo vários autores, devido às alterações sofridas pelo clima terrestre desde um passado remoto, a área de sobreiral estimada em cerca de 8 milhões de hectares, baixou para menos de um terço – a área actual.

É no reinado de D. Dinis, início do século XIV, que já se regista a exportação de cortiça para o Reino Unido. Mais tarde também se conhece a exportação para a Flandres.

Por volta de 1450 é evidente o interesse na cortiça, para flutuadores de pesca. É nessa altura que o rei português D. Afonso V, entregou o monopólio da exportação da cortiça nacional a um mercador de Bruges, durante uma década, o que originou reclamações dos representantes do povo, devido a tal privilégio.

Em 1488, D. João II proíbe o abate dos sobreiros e, pouco tempo depois, edita carta sobre os direitos dos agricultores, para poderem comercializar a cortiça livremente.

Com a época dos Descobrimentos foi grande a utilização da madeira e cortiça dos sobreiros em todas as embarcações.

Com a utilização excessiva do sobreiro, tornava-se evidente o seu desaparecimento. Em 1602, o rei Filipe I, chegou a decretar o degredo de 4 anos em África, a quem cortasse sobreiros ou lhe extraísse a cortiça. Infelizmente, apesar das várias iniciativas, foi desaparecendo grande parte dos sobreiros.

Só a partir de meados do século XVIII, com o povoamento, é reconhecido o sobreiro como valor renovável, agora também muito aproveitado para a alimentação do gado, em especial o suíno.

Em finais do século XIX assiste-se a uma expressiva exportação anual de cortiça (principalmente para o Reino Unido) de cerca de 30.000 toneladas que logo subiu para mais de 50% em menos de uma década.

É também por esta altura que notam mais as pragas a atacarem os sobreiros. Refere-se o ataque da cobrilha nos montados e as doenças que se prolongaram por mais de meio século.

Depois, deixaram de ser os lepidópteros as pragas mais importantes porque foram gradualmente substituídas pelo lagarto verde (himenóptero) e depois por pequenos coleópteros.

As mortandades dos sobreiros coincidem muito com períodos de secas mais acentuadas. De realçar que por volta de 1950, num espaço de 7 anos foram abatidos mais de um milhão de sobreiros.

A empresa, Henry Bucknall & Sons, Ltd, (a mais antiga), estabeleceu-se em Portugal em 1750 exportava para o Reino Unido onde a cortiça era transformada. Nesta época havia outras empresas estrangeiras a operar em Portugal, nomeadamente: Mundet, Wicander, Robinson (ainda em laboração), Rankins, Avern e a Armstrong em Espanha que preparavam a cortiça em prancha, para ser transformada por toda a Europa, Estados Unidos, América do Sul, Japão e Austrália.

Entre o fim do século XVIII e o início do século XIX houve uma descida do interesse no sector, uma vez que o aproveitamento da cortiça se destinava quase exclusivamente para vedantes de vinho, o que significava o aproveitamento de cerca de um quarto, devido à exigência da qualidade para esse fim.

Com o aproveitamento dos resíduos da cortiça (até então sem valor) para a fabricação de aglomerados, no fim do século XIX, assistiu-se a uma nova expansão da cortiça.

Por volta de 1874, com a colaboração de pessoal especializado do Alentejo, foi instalada uma fábrica de fazer rolhas em Romeu, Mirandela.

A Cortiça (casca do tronco do sobreiro) extrai-se pela primeira vez ao fim de cerca de 25 anos, pelo que é denominada de cortiça “virgem”. Numa segunda extracção, em que a cortiça é conhecida por “secundeira”, terá de ser respeitado um intervalo mínimo de 9 anos, bem como nos descortiçamentos seguintes. Apenas nesta fase, a partir do terceiro descortiçamento, é que se aproveita a melhor cortiça, a chamada “amadia”, para o fabrico de rolhas.

O melhor vedante para os vinhos

Desde tempos remotos que a cortiça vem servindo como a vedação mais conveniente nos recipientes para o vinho. Ânforas egípcias, gregas e romanas são testemunhas milenares da sua eficácia na conservação dos melhores vinhos da bacia hidrográfica do Mediterrâneo.

Trata-se de um produto leve, impermeável a líquidos e gases, resistente ao uso e a temperaturas extremas e imputrescível, que se ajusta perfeitamente ao gargalo do recipiente devido à sua flexibilidade e compressibilidade.

Num universo de 340.000 toneladas de produção média anual, verificamos que este total se encontra distribuído da seguinte forma:

Portugal 185.000
Espanha 88.000
Itália 20.000
Marrocos 18.000
Argélia 15.000
Tunísia 9.000
França 5.000

A cortiça noutras aplicações

Devido às suas inúmeras qualidades e características únicas, a cortiça tem sido procurada, desde a Antiguidade, para muitos fins. Com efeito, as suas primeiras aplicações estão também ligadas ao fabrico de bóias para a pesca, calçado, urnas, ornamentações e coberturas de habitações. Actualmente, é grande a variedade dos produtos de cortiça, destacando-se o seu recurso no fabrico de parquetes e isolantes na construção civil.

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